18 de abril de 2008

O garoto

Mataram
O pobre
O garoto
O de rua
Aquele que corria solto
Comia
Cheirava
Deitava
No chão duro e sujo
Que pela manhã
Lavavam
Desinfetavam
Purificavam
Mas o garoto morreu
Seu corpo caiu
Seus olhos viraram
Sua lembrança
Nada
Nem uma vela
Uma lágrima
Um remoer de dor
Nada
Apenas a indigência
Solitária
Sombria
Silenciada
Retrato de uma vida
Tão covardemente
Castrada
Usurpada
Perseguida
Dilacerada
Mataram mas queriam que ele
Morresse mesmo.

6 comentários:

Me disse...

Tão triste, mas tão real!
Porque é que as pessoas são tão crueis? Porque saiem de casa á procura de alvos inocentes para abater? Porque é que este mundo é assim?
Podia ser tudo melhor senão fossem estas pessoas, mas enfim...
As tuas poesias são dignas de serem lidas e são dignas de serem respeitadas.
Ler as tuas poesias é ter um retrato da realidade que tu assistes com os teus olhos, em tempo real. Mas, que para muitas pessoas nao passa de uma imagem construida nas suas próprias mentes.
Incentivo-te a escreveres mais deste género, para que todos possam tomar consciência da crueldade que nos rodeia.

Beijos
ME

Sonia Regly disse...

Gostei do seu Espaço, é uma manancial de coisas boas.Visite o Compartilhando as Letras.
www.compartilhandoasletras.blogspot.com

Ana Bella Carolina disse...

SUPER: "Tão triste, mas tão real!"

Beijos

Pripa Pontes disse...

Quanto garotos como esse estão por aí, morrendo pela ineficiência do corpo, ou sendo mortos pela falta de inclusão numa sociedade que marginaliza.
Ah quem sinta sua dor?
Poucos, mas há muitos que sintam que é menos um criminoso no mundo.
Triste realidade de uma sociedade que parece negar-se a ver o abismo que se forma embaixo do seu nariz.

Quantas vezes já não vi essas mortes surdinas de "garotos de rua" por aqui e as pessoas encaram tudo como um grande espetáculo.



Bjos.

Flavia Villa Verde (EREP) disse...

O garoto, o menino, o menor, o muleque...

Muito boa a poesia!

Bjs,
Flavia Villa Verde (EREP)

Linda Graal disse...

eita lugar bom de estar!!!
]in[ventas no mais profundo do que sangra em mim...

amplexos, guapo! ;)