15 de março de 2008

Quem sabe ?

Eu sou o pingo d’água
Que se solta da nuvem preta
E vai em direção ao nada
Veloz como um cometa.

Eu sou o caule de uma árvore triste
Que logo, logo vai ser cerrada
E meus olhos marejados a tarde persistem
Fitam o horizonte rumo ao nada.

Eu sou as penas brancas
Da garça molhada
Mas logo fico preta, suja
Marcada pela graxa imunda.

Eu sou um dicionário velho
E por isso não economizo nas palavras
Grito aos quatro ventos os meus pensamentos desconexos
E não escondo minha angústia suportada.

Eu sou como o vento
Que sopra, forte ora fraco, e se acaba.
Enquanto as ondas quebram na praia
Eu sigo firme na batalha.

Eu sou um entre tantos
Sorrindo e chorando
Caminhando às vezes caindo
Mas logo levantando.

Eu sou a flor com o seu aroma suave
E seus espinhos pontiagudos
Eu sou um suspiro antes que ele se acabe
Eu sou muitos, muitos...
Quem sabe?

7 comentários:

Cris disse...

JR.
recebi um meme e estou indicando teu blog, neste post:

http://crisbattaglia3.blogspot.com/2008/03/recebi-h-dois-dias-este-selo-do-gerador.html

Você mais que merece!
Beijos

Glenda disse...

Nooossa, baca mesmo...
faz refletir, sei lá, viajar!
Parabééns

Me disse...

Fiquei pensativa depois de ler este poema!
Tu fazes-me pensar xD
Quem sabe? é uma pergunta que não tem resopsta...mas nos esforçamo-nos para lhe dar um atributo.
Bjs* e quem sabe um dia nao estaremos um ao pe do outro :P (brincadeira!)

ME

Pripa Pontes disse...

Eis a nossa beleza, JR: a diversidade que nos forma, mesmo que em emoções nem tanto belas, mas sofrívis. Poré é o nosso eu verdadeiro que não se esconde em máscaras de hipocrisia, e que como o dicionário velho, grita suas palavras aos quatro ventos.

Obrigado pelo último comentário lá no blog, adorei as palavras e reflexões despertadas.


Bjos e uma ótima semana!

Claudya disse...

Amigo, se quiser, tem meme prá vc. em
http://blog-memories.burazine.com/2008/03/memes-e-premios-ii.html. Bjs

Rafael Noris disse...

Que angústia mais "schopenhaueriana" ^^ Realmente, a nausea causada pela consciência de que somos limitados é angustiante... até mais!

Flavinha disse...

Quem sabe...

O que importa é continuar sendo.

Beijos!