31 de janeiro de 2008

Sem Anestesias

Dor
Dói tudo
Dói até as partes ausentes
Os sorrisos descrentes
Os pensamentos dementes.
Dói o câncer, a sífilis
Dói a AIDS, a pneumonia, a hepatite

Dor
Dói a fome, a sede
Pior, tem comida, tem água sobrando
Dói a desnutrição e as suas crias
Esqueletos humanos, crianças apáticas agonizando.

Dor
Dói o mau
As armas de destruição, a ostentação
Dói o braço amputado, a bala alojada
A bomba que não é de chocolate.

Dor
Mas que dor, dói as misérias
As desigualdades seculares
Dói o preconceito, o racismo
Dói não olhar o que é preciso ser visto.

Dor
Dói até o que era pra ser bom
As palavras de conforto, a amizade
Os atos de compaixão e ajuda
Dói a afetação dessa falsidade imunda .

Dor
Dói descobrir as verdades
Dói viver a vida, mas nem sempre
Dói ver tanta gente sem ser gente
A dor é profunda, mas não quero anestesias.

9 comentários:

Flavia disse...

Mas bastaria um simples amor e toda dor iria embora...

Me disse...

Apesar de ausente para estudo vejo, e como nao podia deixar de ser, que publicaste mais uma das tua imensas e lindas poesias.
A dor vai-nos acompanhar sempre, mas temos de tentar minimizar essa dor. Por vez com um sorriso, com uma palavra ou gesto amigo. De longe resolverá todos os problemas, mas pode ser uma ajuda para evitar erros maiores.
Quando dizes que doi descobrir as verdades é uma verdade grande, mas é preferivel sabe-la do que viver rodeado de mentira.
E tem de er sem anestesia, porque se fosse nao poderias viver as coisas boas e que te fazem levantar da cama todos os dias e acreditar que srá um dia melhor que ontem. E, claro, nao escreverias estas poesias.
Bom estudo
*bjs*

Ricardo Rayol disse...

Vim aqui vi, li e gostei, apesar que tenho uma opinião própria sobre o uso repetitivo de palavras em texto, afinal, é o estilo de cada um.

isaque disse...

ola parceria ta de pé foi inseredo um link em meu blog,agora só falta vc me linkar vlw!

Aline disse...

oii...
vlw a visita e o comentário ;)
agora vou começar a ler alguns dos versos/poemas postados por vc!
ah.. vc está como meus favoritos no blogblogs ok!
bjs e tenha um ótimo feriado de carnaval!

Claudya disse...

José, que linda poesia, ao contrário do Ricardo (meu amigo tb.) eu acho que a repetição de palavras, qdo. bem usada, realça a poesia. Bjs

Claudya disse...

Oi amigo, sabe as letras do tradutor, acho eu que elas estão muito pequenas, se quiser, te digo onde vc. muda prá elas ficarem um pouco maiores. Bjs. claudya65@bol.com.br

José Rodrigues (JR.) disse...

Obrigado a todos pelos comentários. Concordo com o Ricardo em relação à repetição de palavras numa poesia (cada um tem o seu estilo), mas também, concordo com a Claudya quando diz que a repetição de palavras quando bem usada "realça a poesia". na verdade, esta poesia foi escrita a cinco anos (se eu não estiver errado)e, hoje em dia, já não uso tanto da repetição de palavras em minhas produções - mas isso não quer dizer que vá usa-la novamente...

Mirabelle disse...

Também não quero anestesias. A dor é necessária. É a pele ardendo, o coração pulsando...

Gostei muito do seu blog.
Sempre passarei aqui.

Beijos
;)