29 de abril de 2009

Fundamental mesmo é o amor

   Em novembro de 2007, o médico estadunidense Patch Adams protagonizou uma das melhores entevistas já dadas - e que eu pude ver - no programa "Roda Viva", TV Cultura. Em suas falas, Patch não apenas fez duras críticas a política imperalista de seu país como apontou que o melhor remédio não é rir, mas a amizade. As palavras de Patch já falam por si mesmas: 

"No início, fiquei constrangido com o filme. Sou ativista político, trabalho pela paz e pela justiça. Considero fascista o meu governo. Se não mudarmos de uma sociedade que venera dinheiro e poder para uma que venere compaixão e generosidade, não haverá esperança para a sobrevivência do ser humano neste século."

"Não concordo com 'rir é o melhor remédio'. Eu nunca disse isso. A amizade claramente é o melhor remédio. É a coisa mais importante na vida. São nossas relações com aqueles que amamos." 

"Fiz o filme porque não consegui arrecadar dinheiro durante 28 anos para erguer o que seria o único hospital-modelo do mundo para os problemas de que ouço falar por médicos do mundo todo. Por ser um hospital tão radical, ninguém quis me ajudar. A Universal Studios prometeu erguer nosso hospital. O filme rendeu mais de quatrocentos milhões de dólares. Ninguém ligado ao filme veio me dar nem um dólar". 

"No mundo todo, não há hospital alegre. São todos hierárquicos. Hospitais ricos não são alegres porque são comerciais. Não há tempo para gastar com pacientes. Os médicos são arrogantes, todo-poderosos e tratam todos os outros... Não todos os médicos, mas a maioria." 

"Tenho vergonha de ser americano. Somos o país terrorista. Todos sabemos que não existem mais países. É a globalização. Não existem países. É uma ilusão. As transnacionais são as donas do mundo. O século XX foi o último com países. Não significa nada. Vindo para cá, o que vi de Brasil? Então… vocês estão destruindo o que é Brasil, a Amazônia. Nunca tive nacionalismo. O nacionalismo é um problema. Historicamente, sempre foi um problema. É uma definição absurda, arbitrária de que existe algum tipo de fronteira na terra. A população indígena dos Estados Unidos achou incrível alguém poder pensar que possuía a terra. Tenho vergonha sim. O mundo todo teme o meu país. E as pessoas estão bravas com ele. Não sou esse tipo de gente. Quero condenar o meu país à prisão perpétua por assassinato em massa."

"A cada ano que passa, fico mais humilde quanto ao conceito da cura. É arrogância e é um perigo entrar na medicina ou em qualquer arte de cura pensando no restabelecimento. Aprenderá humildade na primeira semana. O seu trabalho não é curar, é cuidar. Você sempre pode cuidar. Totalmente. Todo dia, o dia todo. Sempre pode cuidar. Nunca, jamais, antes do tratamento pode garantir cura. Jamais. Jamais. Nunca. Não importa a prática com essa doença, nunca poderá saber, antes de um tratamento… a conseqüência exata desse tratamento. Falou algo de que discordo: a indústria farmacêutica preocupa se com a cura. Ela nunca se preocupa com a cura. Só se preocupa com o lucro. Tem a mais alta margem de lucro do que qualquer outra no mundo. Vende substâncias sabendo, por pesquisa, que não ajudam. Mas falsifica a pesquisa. Assim, pílulas, pílulas perigosas serão dadas. Creio que todo remédio psiquiátrico seja imperícia. Anti depressivos, ansiolíticos. Sabe que, em toda a psiquiatria, não existe um livro de psiquiatria onde haja uma declaração sobre saúde mental. Nem existe um enfoque para a saúde mental."



9 comentários:

Sonia Schmorantz disse...

Muito bom este artigo, penso que estar amando é sempre o melhor remédio para qualquer mal desta vida..
Um abraço

Pripa Pontes disse...

É triste perceber como o cinema lucar com a vida de algumas pessoas e nada lhes dá em retorno, e ainda por cima, distorce a sua imagem...
Achei maravilhosa as palavras de Adams quanto a real cura do ser humano, a amizade. O amor e dedicação de alguém, a compaixão, pelo outro, isso provoca a cura, a vontade do paciente de querer seguir em frente!
E desde quando a indústria farmacêutica se preocupa com o doente ¬¬ Ele está mais que certo no que disse. Inclusive, numa aula na faculdade semana passada meu professor falou que acreditava que a própria cura da AIDS já tivesse sido desenvolvida, ou muito perto de...mas qual indústria quer deixar de lucrar com os milhares de coquetéis que vende pelo mundo? Isso é um rio de dinheiro. E enquanto há doentes, eles ganham renda, mas quando as doenças passarem...
Mas só acho um tanto quanto perigoso esse discurso de não há mais países, ele abre espaço para um discurso sobre a internacionalização de territórios, como a Amazônia, quando no fundo pode representar a extensão do domínio de países mais desenvolvidos, por mais que hajam empresas transnacionais, soberania estatal ainda existe e deve ser respeitada...
No mais fico por aqui que já em estendi demais - como sempre! - mas adorei mesmo essa transcrição!

Bjos.

(marta selva) disse...

é triste demais ver que num mundo tao necessitado é preciso recorrer a industria de filmes pra conseguir lucro pra algo tão lindo e necessario, saber q hospitais nao se importam em cuidar, que medicina nao procura ha tempos por curas,e que um país que dissemina a guerra eh tao adorado..


sempre inspirador por aqui, ;*

Rayana disse...

E ele tem toda razão...
a amizade é um excelente remédio!
(incluindo as do blog)=DD

;*

Ariane disse...

Caro José,

..já havia assistido a entrevista em questão pelo youtube e gostado muito, pois
percebi que os exageros do filme não correspondem ao pensamento do tão humano médico.. preocupa-me somente sua idéia sobre não haver mais países..
De todo modo, parabéns pela postagem!!
Como sempre, seu blog continua criativo e inteligente (VOCÊ)!!

José Rodrigues (JR.) disse...

Ariane,

obrigado por sua visita ao blog, porém eu não disse que "não há mais países".
Na verdade, quem falou isso foi o próprio Patch Adams em sua entrevista rs Ele diz: "não existem mais países". Eu também nao concordo com a afirmação, mas entendendo que ele deve estar se referindo a logica de funcionamento do mercado financeiro globalizado que nao reconhece limites ou fronteiras para a expansão de seus interesses. Daí concluir que não há mais países é, no mínimo, equivocado.

abraços,

Rô Castro disse...

É bom constatar que há médicos como esse famoso, Path adams que ainda não perdeu a humanidade coisa que a indústria farmaceutica nunca teve, é desalentador ,perceber que doenças como a Aids e outras não são "encontrada " a cura para alimentar esse monstro voraz que se tornou a indústria farmaceutica... Apesar de tudo o amor tem sido o melhor remédio.

Hugo Simões disse...

nunca tinha lido isso, gostei muito! path adams, como qualquer um que veja a crueldade que é o mundo atual, mostra sua indignação. muito legal. estou de passagem rápida hoje, mas volto para ler o resto,
abraços.

Sobre Flores disse...

Sou apaixonada por este filme, mas não tinha idéia do que Pacth pensava na realidade, fiquei surpresa e feliz. Apesar de nunca te-lo visto desta maneira. Foi bom ler este artigo e ver que há verdadeira bondade em seu coração mesmo com todo o 'estrelato' ao seu redor. Ao mesmo tempo fico triste em pensar na maneira como a humanidade caminha.